Brasil Sigano

Atividade faz parte da etapa preparatória para a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que acontece entre os dias 5 e 7 de novembro, em Brasília.

Plenária Nacional dos Povos Ciganos discute propostas para o segmento Data: 23/05/2013
A Plenária Nacional dos Povos Ciganos, etapa preparatória para a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III CONAPIR), ocupou a programação desta quinta-feira, 23, do Brasil Cigano – I Semana Nacional dos Povos Ciganos. O evento é realizado até amanhã, sexta-feira, na Granja do Torto-DF, promovido pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e parceiros.

A abertura da plenária foi feita pela secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Silvany Euclênio, pela representante dos povos ciganos no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Bárbara Piemonte, e pelo secretário-executivo do Conselho, Sérgio Pedro.

De acordo com Silvany, o momento vivido pelos povos ciganos possibilita a reflexão sobre a democracia e o desenvolvimento sem racismo e para dizer ao Estado brasileiro como é que os povos oprimidos podem ser incluídos nesse processo.

Como na plenária seriam votados os representantes dos ciganos que serão delegados da Conapir, Silvany ressaltou também a importância da participação deles nas etapas municipais e estaduais que antecedem a Conferência Nacional. “É necessária uma reflexão própria dos segmentos antes de chegar à etapa nacional, uma vez que não é somente o Governo Federal quem faz a política”, afirmou.

A Conselheira Bárbara Piemonte, da etnia Calon, criticou a postura dos governos municipais que, de acordo com ela, são os que mais resistem à presença dos ciganos nas cidades. “Não somos nômades por opção, mas por imposição. Nós encontramos muitas dificuldades para permanecer nos lugares e, assim como nossos companheiros quilombolas, também temos interesse em permanecer em um território”, disse.

Lembrando dos seus pais e antepassados, Piemonte se emocionou ao falar também do preconceito que sofre por ser cigana. “Pedimos que o governo nos conheça: quem somos, quantos somos e onde estamos. Nós fazemos parte da história do Brasil. E apesar de eu ter apenas 18 anos, me comprometo com o povo cigano que vou lutar para mudar a nossa atual situação”, disse.

No painel “Democracia e Desenvolvimento sem racismo: por um Brasil afirmativo - Povos Ciganos e a política de igualdade racial”, realizado pelo professor Rodrigo Correa Teixeira, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), foi feito um breve panorama da história dos ciganos no Brasil, desde sua chegada no país até os dias atuais. “Temos um histórico de preconceito total dos governos desde a época colonial. Depois de quase 500 anos de políticas contra os ciganos, essa é a primeira vez na história que o Estado reconhece os ciganos como parte integrante da sociedade brasileira, o que vem acontecendo apenas nos últimos dez anos”, afirmou.

Brasil Cigano - O Brasil Cigano acontece de 20 a 24 de maio, na Granja do Torto, no Distrito Federal, reunindo cerca de 300 participantes de povos de 19 estados e do Distrito Federal e marca o Dia Nacional do Cigano, instituído por decreto assinado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 25 de maio de 2006.

O evento tem como objetivo fortalecer a organização e a participação dos povos ciganos nas discussões sobre políticas públicas, valorizar e dar visibilidade à diversidade da sua cultura e ampliar a interlocução das lideranças tradicionais ciganas com o Estado brasileiro e, é voltado aos povos ciganos, gestores públicos, estudantes e comunidade em geral.

Promovido pelo Governo Federal, por meio da SEPPIR, Ministério da Cultura, Secretaria de Direitos Humanos, Ministérios da Educação e da Saúde e pelo Governo do Distrito Federal, por meio das secretarias Especial de Promoção da Igualdade Racial e de Cultura, além de associações e entidades representativas dos povos ciganos.

Participam da organização do Brasil Cigano as seguintes entidades: Associação Internacional da Cultura Romani (AICROM-Brasil/GO), Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK-Brasil/DF), Associação Nacional das Etnias Ciganas (ANEC/GO), Associação de Preservação da Cultura Cigana (APRECI/PR), Centro de Estudos e Discussão Romani (CEDRO/SP), Grupo Leshjae Kumpanja/AL.

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